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Por professor Jacinto Júnior – ADEUS, ‘ZÉ DOS POBRES’

ADEUS, “ZÉ DOS POBRES!”

É com mui pesar que recebi a triste notícia do desaparecimento de nosso convívio (03/04/2021), do ex-prefeito e ex-vice-prefeito e atual Secretário de Obras de nossa cidade: José Inácio Guimaraes Rodrigues (1950-2021) vítima da Covid-19.

Não poderia deixar de pronunciar-me a respeito dessa figura pública que, de modo singular, passou à história e fez história.

O nosso Brasil ainda vivenciava a sórdida e tenebrosa fase obscurantista sob a baioneta do famigerado regime militar (1964-1985) quando, então, o jovem futuro prefeito de nossa cidade desenvolvia atividades políticas em Belo Horizonte-BH. Naquele período, o sistema político permitia apenas a existência do bipartidarismo – com o afã de minimizar o processo político exercido com “mão de ferro” a quem o combatesse e/ou o criticasse. Ou seja, fora concebida a política do “Sim” e a do “Sim Senhor”; com a existência do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e a ARENA (Aliança Renovadora Nacional).

Durante suas férias, “Zé Inácio” imediatamente retornava para sua cidade onde estava radicalizado desde muito cedo (por isso, já era um filho de nossa terra), para se articular com as lideranças do MDB codoense que, a priori, eram a ”trincheira fértil” ao governo municipal, e dentre elas, cito a figura do vereador Jacinto Pereira Sousa (MDB e PMDB) – a histórica figura pública que resistiu ao regime e ao governo local. Era este líder que dava sustentação à oposição propositiva em nossa cidade contra a situação conservadora. E todos os debates e discussões de natureza política passavam por suas mãos, afinal, era considerado o mais importante elemento da resistência local (seu último mandato fora de 1982-1988) e depois dessa eleição, se despediu da política.

“Zé Inácio” já havia participado de duas eleições objetivando conquistar o Palácio Municipal. Em sua segunda eleição; “Zé Inácio”, se aliou ao líder sindicalista o Sr. Marcelino – representando a sublegenda. Porém, a terceira eleição (1988) o consagraria vitorioso ante o grupo mais reacionário em termos políticos. Ele governou nossa cidade de 1989 a 1992. Seu governo tinha como slogan um coração – acompanhado da frase: “Trabalhando com Amor” – que expressava o sentimento mais forte que pode ser definido pelo homem.

Ganhou a alcunha de “Zé dos Pobres”, por ter um discurso em defesa dos menos favorecidos. Neste sentido, sempre foi um exímio debatedor. Tinha uma capacidade impressionante quando fazia uso da palavra, pois fazia bem o uso da dialética. Articulado e meticuloso. Não tinha ódio, não escondia a verdade, possuía um senso de justiça imparcial, honestidade fora sua marca indelével. E na campanha vitoriosa, a letra de campanha composta e musicada por um cantor chamado “Jorge Maranhão” (falecido), o saudava com a seguinte frase de abertura: “Zé Inácio vem aí”…, um refrão que ganhou o coração dos codoenses e o fez o novo mandatário de nosso município.

Seu governo não fora feito só de flores, mais espinhos do que flores.

Nesse período quem governava o Estado era Edison Lobão (PFL). “Zé Inácio” fazia oposição ao governo estadual por uma questão partidária (PMDB) – seguia à risca a filosofia defendida pelos líderes de expressão nacional como Renato Archer, Ulysses Guimaraes, Valdir Pires e outros. Por conta dessa oposição, sofria retaliação do governo estadual e, por consequência, enfrentava dificuldade até mesmo para pagar um salário decente aos profissionais da educação que, naquela ocasião, encontrava-se em “pé de guerra” com o governo local. Devido à crise econômica que pairava no país, em 1992, a inflação chegou ao patamar de (1.119,10%) acumulada e, na média (854,63%) (https://oglobo.globo.com), lembro-me que, os professores ficavam plantados na Praça Ferreira Bayma – no Coreto -, esperando alguma atitude do governo. “Zé Inácio” propôs um projeto de lei que reajustava os salários por meio de um “gatilho automático” mensalmente, com o objetivo de recuperar o valor salarial dos bravos educadores codoenses. Na verdade, ele estava sintonizado com a proposta do governo federal em relação ao reajuste dos salários das categorias nacionalmente.

“Zé dos Pobres”, como ficara conhecido no meio político, era um homem sensível e profundamente dedicado à causa do povo despossuído de bens materiais. Que fique na memória de cada codoense seu legado político, o senso de justiça e equidade que transparecia em cada gesto e fala pronunciada!

“Zé dos Pobres” partiu para outras pradarias e, certamente, encontrar-se-á com os velhos parceiros de tantas lutas – Ulysses Guimaraes, Renato Archer, e, até mesmo com o ex-prefeito Antônio Joaquim, Ricardo Archer e, quem sabe, com o militante Gilberto Muniz – que, por várias vezes disputou esse almejado cargo majoritário -, e, conosco, ficará a imagem do homem talhado pela natureza no combate às injustiças sociais. Seu dever como homem público fora cumprido! Descanse em paz, “Zé dos Pobres”, adeus!

Categoria: Notícias

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